História


A Praia do Norte é a mais pequena freguesia do concelho da Horta, na Ilha do Faial. Ocupa uma superfície total de aproximadamente 14,00 km². A freguesia integra os seguintes lugares: Fajã, Praia de Baixo e Praia de Cima. A Fajã está voltada para a Baía de Ribeira das Cabras com altas falésias que são geo-monumentos de grande interesse científico e possui dois areais.

A Praia do Norte e a sua igreja, é referida pela primeira vez em 30 de Junho de 1568 (Anais do Município da Horta) e engloba as primeiras 5 freguesias do concelho da Horta. O seu solo sempre foi conhecido como bastante fértil em cereais, leguminosas e frutas. Segundo Frei Diogo de Chagas, em 1643, a freguesia tinha 274 habitantes distribuídos por 77 fogos. Situava-se no sítio do Nicho, na bifurcação da actual Estrada de Regional II com a estrada que vai para o Norte Pequeno estendendo-se pelo o caminho da quinta.

Em 24 de Abril de 1672 a erupção do Cabeço do Fogo, provoca a destruição total da freguesia por um rio de lava escorreu pelo Cabeço do Fogo cobriu seus extensos campos de terra arável, dispersando a população local, e a freguesia da Praia do Norte é extinta e posteriormente integrada na freguesia do Capelo. Segundo Américo Costa, no seu Dicionário Corográfico, refere que “grande parte dos habitantes de ambas as freguesias ficara atemorizada com a crise sísmica. Abandonaram as suas moradias e se abrigaram em pequenas barracas. Todavia, à uma hora da madrugada, ouviu-se um formidável ribombo, seguido imediatamente de violentíssima erupção vulcânica. Dois rios de lava incandescente tomaram respectivamente as direcções do Norte e do Sul, tendo o do Sul dirigido-se para o sítio da Ribeira do Cabo (Capelo). A Norte, depois de breve pausa no lugar de Lameiros, alcançou a freguesia de Praia do Norte, convertendo-a num montão de pedras negras e terra calcinada. O casario da povoação ficou completamente destruído e os seus campos destruídos. No entanto, parece não ter havido perdas humanas a lamentar. Mas, foi tal o pânico produzido pela catástrofe no espírito dos habitantes da Praia do Norte, que em acção de graças por lhe terem sobrevivido, fizeram voto de festejar o Divino Espírito Santo, dando em seu louvor, no dia de Pentecostes, esmolas aos pobres, compostas de pão, carne e vinho, voto que se transmitiu de geração em geração.” Voto este que ainda hoje se mantém, através da oferenda de “rosquilhas” ou “vésperas” a quem passa na freguesia nas festividades, bem como sopas do Espírito Santo às famílias dos imperadores e aos pobres da freguesia.

Gradualmente os seus habitantes voltaram e retomaram a actividade agrícola, plantaram de vinhas, árvores de fruto, vindo novamente a transformar a Praia do Norte numa fértil região agrícola. No final do século XVIII, a freguesia já tinha 712 habitantes. A Praia do Norte é elevada novamente a freguesia, através dum alvará régio datado de 1 de Outubro de 1839, mas será apenas no ano de 1845, que celebra definitivamente a sua elevação.

Em 1958 durante a erupção do Vulcão do Capelinhos, a freguesia é novamente abalada e destruída totalmente na noite de 12 para 13 de Maio, pelos sismos desta erupção, provocando a fuga da população para outras freguesias e posterior emigração para EUA e Canadá. Durante esta erupção todas as moradias freguesia foram parcial ou totalmente destruídas, não existindo nenhuma que não ficasse danificada. Com diversas ajudas vindas de todas as comunidades de portugueses e do governo, a freguesia foi reconstruída. Ao fim de 9 meses os primeiros habitantes retornavam às suas casas e á sua vida quotidiana, terminado a construção das habitações 2 anos após a erupção. Com a emigração resultante do Vulcão dos Capelinhos e nos anos posteriores a população da freguesia diminuiu dois terços, para cerca 250 pessoas, mas manteve o seu estatuto de freguesia.

Em meados do século XIX, as vinhas sofreram um grande flagelo, e os laranjais e campos de batata registaram significativas perdas. Desenvolveu-se a pesca e a construção de embarcações. Todavia, a agricultura, apesar de todas as crises registadas, parece ter tido sempre uma importância muito especial para as gentes de Praia do Norte. Actualmente, para além da actividade agrícola, faz ainda representar no seu quadro de desenvolvimento económico a exploração pecuária, a construção civil, a extracção da pedra e da areia do mar.

O artesanato na freguesia caracteriza-se pelo trabalho em vime, casca de milho, sendo ainda de salientar as suas rendas e bordados.

Na sua gastronomia assumem especial importância o inhame com linguiça, pelo cozido de carne de porco salgada, pelos torresmos de vinha de alho, bolo e pão de milho, massa sovada e pela rosquilha do Divino Espírito Santo.

Actualmente a população é de 259 habitantes.

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